Workshop Internacional Brasil Alemanha ‘Tecnologia para o uso eficiente no Brasil dos Recursos Hídricos’

Workshop Internacional Brasil Alemanha ‘Tecnologia para o uso eficiente no Brasil dos Recursos Hídricos’

O evento reuniu especialistas alemães e diversos representantes do setor de saneamento no Brasil para abordar os desafios de conciliar os recursos hídricos e seus múltiplos usos com as ações de tecnologia a serviço do meio ambiente, de maneira a conduzir a um desenvolvimento sustentável consciente, que traga menos impactos ao meio ambiente, e contou com a presença de importantes especialistas alemães, que falaram sobre o desempenho das empresas alemãs nas tecnologias ambientais e de tratamento de água.

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Abertura

Representando a ABES-SP no encontro, o diretor Antônio Carlos Lino falou na abertura do workshop ressaltando a importância da iniciativa.”O tema ‘Tecnologia para o uso eficiente no Brasil dos Recursos Hídricos’ reflete muito bem as necessidades das empresas de saneamento em encontrarem soluções que garantam água potável para toda a população. O Brasil é um dos países mais ricos em água do mundo, mas nos últimos anos enfrentou uma séria crise hídrica no Sudeste e no Nordeste. Cerca de 46 milhões de brasileiros foram afetados pela falta de água. Cidades tiveram de realizar a gestão da pressão e em certas localidades até o racionamento de água. Aqui em São Paulo, as chuvas vieram em 2015 e, alicerçadas com a realização de mais de trinta obras em tempo recorde, graças à competência dos engenheiros, técnicos e demais profissionais do setor de saneamento, possibilitaram a garantia de água a todos os cidadãos”, pontuou.

Lino também falou sobre o papel da ABES-SP neste contexto de crise. “A ABES-SP realizou vários seminários e encontros técnicos. Por meio da Câmara Técnica de Recursos Hídricos, organizou, em dezembro de 2015, o workshop “Tecnologias para o Enfrentamento da Crise Hídrica”, no qual foram apresentados casos práticos de utilização de membranas de ultrafiltração e de reúso.

Cônsul Geral da Alemanha em São Paulo, Axel Zeidlerin, também mencionou a crise hídrica no Brasil, que tem chamado atenção dos especialistas alemães. “Os anos passados demonstraram especialmente em São Paulo que a gestão dos nossos recursos hídricos é de interesse vital para todos nós. O Brasil é um país rico em recursos naturais, considerando que o país possui mais de 3% das reservas de água doce do mundo. Hoje parece inacreditável que São Paulo chegou ao ponto de precisar racionar o abastecimento de água na capital. Entretanto, é preciso lembrar que apenas 1,6% dos recursos hídricos brasileiros se encontram no estado de São Paulo, e que mais de 25% população do país está em São Paulo. A capital é uma metrópole com quase 20 milhões de habitantes, uma das áreas mais populosas do nosso planeta”. E pontuou a relevância global do uso e reúso inteligente e eficiente da água e dos recursos hídricos. “Combater os impactos negativos das mudanças climáticas na vida das pessoas é uma das prioridades hoje na agenda internacional.”

Jorge Rocco, gerente de Meio Ambiente da FIESP/CIESP, parabenizou a iniciativa de reunir tecnologias para eficiência do uso dos recursos hídricos e lembrou que “os últimos anos – devido à crise de escassez hídrica – fez com que tivéssemos que rever e discutir tecnologias, técnicas e revisão de ações preventivas e corretivas, levando aos planos de contingência. Fato que permitiu que as empresas pudessem continuar nesse processo de captação de água dos rios e subterrâneas. E levou-nos a conversar com diversas entidades e nossos associados dos sindicados. Com isso, entendemos que técnicas e tecnologias podem vir a auxiliar, principalmente, para as pequenas e medias empresas, contribuindo muito para o sistema de tratamento de água, de efluentes, e dos lodos gerados por essas estações. A Alemanha é um dos países mais inovadores e tecnologicamente avançados. As empresas alemãs, presentes aqui no evento, representam a expertise tecnológica e o grau de inovação que a Alemanha pode oferecer aos parceiros brasileiros nessa área tanto no setor público como no privado. Acredito que a tecnologia será a chave para resolver muitos dos problemas que enfrentaremos no futuro. E que por meio da cooperação internacional e do esforço coletivo podemos superar juntos os desafios do nosso caminho.”

A diretora cultural da AESabesp, Maria Aparecida Silva de Paula, saudou os convidados alemães: “A Alemanha é um país pelo qual temos muita admiração pela sua gestão e eficiência técnica. Sempre estaremos receptivos aos acordos de cooperação. Desejamos que a delegação alemã vivencie a nossa realidade dentro da esfera dos recursos hídricos. Que leve nossa amizade e o nosso interesse pelas ações sustentáveis e de preservação do meio ambiente.”

Carmem Lúcia Vergueiro Midaglia, geógrafa, diretora técnica de eventos da ASEC/CETESB enfatizou a importância de Brasil e Alemanha serem parceiros. “Esta é uma boa parceria entre um país que é rico em tecnologias e outro que é rico em recursos hídricos. Há soluções a apresentar e temos muito que aprender. Vai existir no futuro muita pressão sobre o fator água, que é uma necessidade de todo cidadão. Vai aumentar a produção de alimento porque a população mundial está crescendo, mas as mudanças climáticas vão atrapalhar a agricultura em várias partes do mundo e mudar todo o cenário. Ficaremos diante de uma situação em que quanto mais conhecermos, melhor. Então, as soluções tecnológicas que a Alemanha apresenta são sempre bem-vindas e o Brasil está sempre disposto a aprender. Sempre recebemos as novas culturas de braços abertos”, ressaltou.

 

Tecnologias para gestão dos recursos hídricos

asecAbordando o tema “Cooperações tecnológicas com a gestão alemã de água – Solutionsyoucantrust, Michael Prange, gerente geral da German Water Partnership, ressaltou que a o índice de perdas de água na Alemanha é de 7% e que o país investe fortemente no setor de saneamento. “100% das residências estão conectadas”, disse. Mas lembrou que ao redor do mundo, como no Brasil “há muitas tarefas para realizar. É preciso desenvolver soluções adequadas para todos. Pensar em criar soluções conjuntas.”

No painel “Otimização dos sistemas hidráulicos”, Rodrigo Pascoal e Jochen Endreb, ambos da VAG-Armaturen GmbH, falaram sobre “Melhoria da Eficiência através de guarnições e válvulas precisas”. Eles abordaram a digitalização de sistemas, conhecida também por água 4.0. “Isso é importante, principalmente para o Brasil, pelos seus altos índices de perdas de água e também pela questão da falta de recursos hídricos em algumas regiões”. Nosso sistema está obtendo sucesso, a digitalização dos sistemas de água com sua amplitude de aplicação”, disse Pascoal. “O sistema monitora a rede, identifica vazamentos -pequenos ou grandes – e a velocidade de fluxo”, complementou Endreb.

Daniel Luna Macias, da SEBA Hydrometrie, apresentou o tema “Medição contínua e de alta precisão da qualidade da água e vazão”. Neste contexto, também trouxe um sistema de monitoramento de recursos hídricos, que abrange águas subterrâneas, superficiais, metrologia e qualidade da água. “Monitoramos o ciclo hidrológico completo. Temos mais de 100 mil estações instaladas no mundo todo e temos representações em 140 países. No Brasil, estamos à procura de um representante que entenda o nosso setor especifico”, salientou.

No segundo painel, que teve como tema  “tratamento descentralizado de água potável”, Karsten Flöter, da empresa ARISU GmbH, explicou sobre tratamento sem adição de produtos químicos, dessalinização e transformação da água retirada do mar em água potável, tratamento de esgoto, manutenção e custos. ARISU produz produtos customizados, atendendo a diversos segmentos e países, entre eles, Angola e Inglaterra.

A empresa Ibes foi representada por Robin Eisenhardt, no terceiro painel, que abordou o “tratamento eficiente de águas residuais”. O especialista discorreu sobre tecnologias para estações de tratamento de água, análise do lodo, plantas de biogás, usinas e resíduos. Uma das tecnologias mostradas é um equipamento que trata a água sem o uso de eletricidade.

Pela HUNING, falou Bernd Hüpohl abordando tecnologias para o tratamento de água e esgoto, instalação móvel e limpeza de rios. A empresa faz tratamentos nas fases líquida e sólida, realiza condicionamento do lodo, que pode ser vendido para a fabricação de combustível, processo de incineração e a retirada do fósforo que pode ser utilizado como adubo.

Os problemas ambientais e, como a crise hídrica criou a necessidade de novas tecnologias e soluções, foram temas da abordagem de Alexandre Vilella, da FIESP. “A crise afetou 70% das indústrias. As empresas criaram fontes alternativas de água, por meio de tecnologia, parcerias, tratamento de água, esgoto, modelos de negócios e sustentabilidade.  A solução é discutir as tecnologias, o tratamento de água, esgoto e lodo para alcançar a segurança hídrica.”

Sonia Mucciolo, da Acquamec, falou sobre os tipos de difusores, custos, tratamento de esgoto e parcerias com empresas alemãs e fez uma apresentação da empresa, que conta com um portfólio amplo e oferece diversos serviços.

Representando a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Bruno Souza falou sobre financiamento para projetos de recuperação de recursos hídricos, planejamento de território, base de dados para a gestão, tratamento de esgoto, investimento em todo o país, autonomia dos Comitês e outorga. “A Secretaria exige diagnóstico da bacia, o que precisa ser feito e para onde vai o recurso solicitado. O plano deve mostrar o que será feito em 12 anos”, explicou. Abordou ainda as oficinas públicas, agências, planos de bacias e estaduais que estão em revisão e a afirmou que a meta precisa ser revista. “O recurso utilizado precisa estar na medida necessária de acordo com o Conama 357. Outro destaque foi sobre como direcionar os recursos para atender aos interesses das indústrias e dos agricultores.”

Para o coordenador do Jovens Profissionais do Saneamento, Thomas Ficarelli, foi uma experiência gratificante. “Sabemos que a Alemanha é bem forte na questão tecnológica e de inovação. Existem tecnologias bastante sofisticadas que eles vendem e que de alguma forma poderíamos pensar também como aplicar no Brasil. Muito interessante a participação dos jovens no evento para eles se familiarizarem com essa questão da inovação da cooperação com outros países. É bastante enriquecedor.”

Para Ilka von Borries-Harwardt, da BVMW, que organizou a vinda dos especialistas alemães ao país, o evento permitirá desenvolver projetos em conjunto para a facilidade e o melhor entendimento das empresas brasileiras e alemãs. Ela contou que entre os dias 10 e 14 de outubro, será realizado na Alemanha um workshop para empresas brasileiras. Durante o encontro de quatro dias, os representantes brasileiros, que serão recebidos por oito empresas alemãs, poderão conhecer as estações de tratamento de efluentes e a parte de limpeza das águas, por exemplo. “É um projeto para os próximos três anos no qual os dois países irão desenvolver formas de trabalhar melhor e estudar quais são as tecnologias que podemos usar no Brasil”, afirmou.

 

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Por Sueli Melo e Clara Zaim

Fotos: José Jorge Neto/Cetesb